Depoimentos de testemunhas oculares da invasão à Aldeia Maracanã

A retirada não foi pacífica. As pessoas saem sufocadas da Aldeia Maracanã.

A retirada não foi pacífica. As pessoas saem sufocadas da Aldeia Maracanã.

“Retornei a pouco do Maracanã onde pude presenciar uma das cenas mais bárbaras da minha vida. Se já não bastasse a violência simbólica de retirarem os indígenas da Aldeia Maracanã – social, cultural e politicamente falando -, ter visto a truculência e violência da polícia militar invadindo o terreno e avançando sobre as pessoas foi bizarro. Não que eu esperasse diálogo ou compreensão da Batalhão de Choque no caso, mas acontece que eles “desceram o pau”, sem poupar ninguém, incluindo indígenas, manifestantes e até os jornalistas. Ao contrário do que o Cel Frederico afirma à imprensa, a invasão do batalhão de choque não foi pacífica. Entrando e empurrando os cerca de poucos 10 indígenas que ainda permaneciam no local, eles jogaram spray de pimenta e utilizaram da força de seus cassetetes sem motivo aparente, pois os indígenas já haviam negociado a retirada pacificamente. Tanto que das 100 pessoas que estavam lá dentro, apenas 10% permaneciam no local. A população, perplexa com a cena, revoltou-se e fechou a radial oeste protestando. Pouco tempo depois, o que se viu foi uma verdadeira praça de guerra – estilo Praça Tahrir, no Egito – com a polícia atirando a queima-roupa os sprays de pimenta, as bombas de efeito moral (moral é modo de dizer, pois a fumaça irrita demais a garganta e os olhos), balas de borracha e, claro, os cassetetes. Muitas pessoas passaram mal e fugiram do confronto. O momento de mais tensão pelo qual passei, foi quando tentava fugir de uma dessas bombas e os polícias empurravam as pessoas para a direção das bombas. Eles definitivamente não pouparam ninguém. Um repórter do jornal O GLOBO teve sua perna cortada pela explosão de uma das bombas. Os manifestantes sentiam falta de ar e medo, muito medo, afinal, a polícia estava empurrando todo mundo para o “olho do furacão”, ao invés de deixá-las ir embora. Alguns indígenas ficaram feridos, o defensor público que estava ali representando os índios e os deputado Marcelo Freixo também foram atingidos pelo spray de pimenta. Não foi lamentável, como diz o Coronel. Foi escandaloso”.

DSC_0280

Manifestantes se protegem do gás de pimenta

Este é um outro desabafo, recolhido no facebook:

Não existem palavras que expressem o sentimento de ver ao vivo a polícia espancando índios. Foi tudo muito nojento e por isso, eu até entendo a galera ter radicalizado ao extremo na frente da ALERJ, apesar de não concordar. Eu acho que hoje tivemos a prova real de que governo nós temos e muita coisa que é simbólico e valorizado no nosso imaginário foi posto a baixo. Quem não gosta de índio, quem não tem a ideia de que foram roubados e violentados no que é mais caro a um povo, que é sua cultura. Qual é o problema objetivo de eles terem direito a pelo menos um museu para mostrar o que nunca deveria ter sido perdido. É bom para o turismo, para mostrar que nós brasileiros queremos valorizar o resquício dessa cultura milenar. Não, não podem! Um estacionamento, um museu olímpico pode ser, menos um museu dos índios. Foi um divisor de águas para todos nós que estávamos lá hoje. Não vivenciamos apenas uma invasão, ou confronto da polícia com manifestantes comuns, ou o grito por direitos construídos em nossa época. O que tava representado fortemente ali era o acumulo de 513 anos de opressão e massacre. É o que todos nós vivemos essa manhã e começo de tarde na Aldeia Maracana. Cabral conseguiu sujar suas mãos com sangue de índio. Amaldiçoado esse miserável já está, caiu índio no chão Cabral vai ter que cair junto. O “Fora Cabral” faz parte da principal palavra de ordem política dos movimentos sociais do Estado do Rio de Janeiro com a denúncia de ditador do Rio. Agora a tarde para a noite fizemos uma manifestação em frente a ALERJ e mais uma vez fomos presenteados com gás e bombas por parte da política fascista de segurança pública. Algumas pessoas foram novamente presas e tomamos as famosas cacetadas dos mongóis que riam e se divertiam, coisa nojenta que ocorreu também pela manhã.

DSC_0304

Praça de guerra no Maracanã.

DSC_0313

Denis, o pimentinha. Na mão deste policial está o spray de pimenta. Olhem o tamanho do jet dele.

DSC_0364

Polícia agride manifestantes.

DSC_0430

Choque avança sobre os manifestantes.

DSC_0431

Manifestantes fogem do Batalhão de Choque e das bombas.

DSC_0446

Policia avança sobre manifestantes.

DSC_0568

“Resistência Indígena”

Anúncios