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Em 1 ano e meio, Governo do Rio fechou 49 escolas públicas

Colégios fechados atendiam jovens que trabalham durante o dia e estudavam à noite

Jornal do BrasilMaria Luisa de Melo 

No período de 1 ano e seis meses o secretário Wilson Risolia autorizou o fechamento de 49 escolas da rede estadual do Rio de Janeiro. A maioria das unidades funcionava em prédios da Prefeitura do Rio, à noite, e atendia jovens e adultos fora da idade regular da educação básica. 

Ou seja, as unidades fechadas eram destinadas aos alunos mais velhos: a maioria trabalha durante o dia e tem apenas a noite para suprir a deficiência educacional e concluir os ensinos Fundamental e Médio.

Das 49 unidades de educação que foram extintas, 31 funcionavam na capital, outras dez em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A Baixada também não escapou dos fechamentos: quatro escolas de Japeri tiveram as portas fechadas, assim como três em Magé; e uma em Guapimirim. Há expectativa de que o número de unidades estaduais fechadas cresça ainda mais no ano que vem. 

As unidades fechadas usavam prédios de escolas municipais, como é o caso da Escola Municipal Pereira Passos, que à noite cedia espaço para os alunos do Colégio estadual Eça de Queiróz

As unidades fechadas usavam prédios de escolas municipais, como é o caso da Escola Municipal Pereira Passos, que à noite cedia espaço para os alunos do Colégio estadual Eça de Queiróz

Diretora do extinto Colégio Estadual José Pedro Varella (Rio Comprido), por sete anos, a professora Maria João critica o fechamento das unidades e encarou a decisão do secretário estadual de Educação como uma manifestação de “descomprometimento com o ensino público”.

“Tenho a impressão de que o governo está na contramão de aumentar o número de alunos nas salas de aula. Na escola em que eu era diretora eram 500 alunos matriculados e frequentando as aulas. A maioria não teve a oportunidade de estudar quando jovem. Então, estavam aproveitando a oportunidade durante a noite. Trabalhavam de dia e estudavam à noite. Quando o secretário anunciou o fechamento, muitos abandonaram, porque só conseguiriam transferência para escolas distantes”, destaca a educadora.

Outro problema que chama a atenção no fechamento do Colégio Estadual José Pedro Varella é que muitos alunos eram oriundos do Morro do São Carlos e só conseguiram vagas para estudar numa unidade de educação localizada no Morro do Turano, de facção rival. Ambas as comunidades ainda estão em processo de pacificação. 

“Como você vai mandar um aluno de uma comunidade na qual há resquícios de bandidos de uma facção rival à de outra? Os meus alunos tiveram medo diante desta situação de insegurança e eu os aconselhei a procurar a escola que fosse mais tranquila. O problema é que muitos tiveram dificuldades de encontrar escolas próximas de suas casas. São pais de família que querem estudar. Só isso. Mas o governo estadual não colaborou! Educação não é gasto. É investimento”, critica. 

Deputado: “Governo não tem bom senso pedagógico”

Depois de organizar diversas audiências públicas na Assembleia Legislativa do Rio, ao longo do ano passado para tratar do problema, o presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt (PPS) classifica a situação como “irreversível”.  

Depois de convocar o próprio secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, para explicar o fechamento das unidades, Comte diz que o atual governo “não tem bom senso pedagógico”.

Segundo ele, o secretário justifica o fechamento das escolas de ensino compartilhado dizendo que é preciso economizar e otimizar a rede. “Se o secretário nota que tem duas turmas cada uma com 30 alunos, ele prefere fazer apenas uma com 60. Esta é a lógica. Infelizmente, não conseguimos frear isto”, limita-se a comentar.

Governo: não fechamos, municipalizamos

Procurado pelo Jornal do Brasil, o governo do Estado nega que tenha fechado as unidades. 

“Esclarecemos que a ação não foi de fechamento de escolas. O que houve é o que se chama de municipalização, e há legislação sobre isso. O Ensino Fundamental  é de responsabilidade dos municípios. O Ensino Médio, do Estado. E o Ensino Superior, do Governo Federal. Porém, ainda há muito Ensino Fundamental sob responsabilidade das escolas estaduais. E o que a Secretaria estadual vem fazendo é transferindo as escolas com alunos do Fundamental para o município, quando há capacidade de o município absorver essa demanda, o que é o caso da cidade do Rio de Janeiro. Chama-se municipalização. Os alunos permanecem estudando, só passam a ficar sob responsabilidade do município a partir disso”, diz a nota enviada aoJB.

Confira a lista de escolas fechadas no Rio pelo Governo do Estado:

>> Capital:

C.E. Coccio Barcelos

C.E. Pedro Varela

C.E. Francisco Cabrita

C.E. Cícero Pena

C.E. Clotilde Guimarães

C.E. Professor Souza Carneiro

C.E. Walt Disney

C.E. Roraima

E.E. Edgar Werneck 

E.E. Augusto Cony

C.E. Professora Silvia de Araújo Toledo

C.E. Alfredo de Paula Freitas

C.E Astolfo Rezende

C.E. Brigadeiro Eduardo Gomes

C.E Paulo da Portela

C.E. Professora Nilza Mendonça de Oliveira

C.E. República de São Tomé e Príncipe

C.E. Rio de Janeiro

C.E. Washington Luis

EEES George Summer

EEES Professor Souza Carneiro

C.E. Charles Peguy

C.E. Celestino da Silva

C.E. Equador

C.E. José Pedro Varella

C.E Sérgio Buarque de Holanda

EEES Benedito Ottoni

EEES Evaristo da Veiga

EEES General Euclyades Figueiredo

EEES LaudímiaTrotta

EEES Leitão da Cunha

>> São Gonçalo:

E.E. Brigadeiro Antonio Sampaio

E.E. Alberto Silva

E.E. Lucio Tomé Feiteira

E.E. Professora Henny de Mendonça Gama

E.E. Aurélio Quaresma 

CIEP Professor Djair Cabral Malheiros

E.E. José Augusto Domingues

E.E. Dr. Luiz Palmier

E.E. Alcebíades Peçanha 

C.E. Sueli Mota Seixas

>> Japeri:

C.E. JOAO XXIII

C.E. RIO DO OURO

C.E. ARMANDO DIAS

CIEP LUCIMAR DE S. SANTOS

 

>> Magé:

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROFESSOR CARLOS CAMACHO

C.E. PROFESSORA LUIZA VIEIRA

C.E. PARQUE DO IMPERADOIR

 

>> Guapimirim:

C.E. SIMÃO DA MOTA

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